Um pedaço da Suíça no Vale do Paraíba
A Fazenda Neuchatel nasceu do encontro entre imigrantes suíços e o auge do café paulista. Quase desapareceu sob o próprio entulho. E voltou, tijolo por tijolo.
O café e os Perrenoud
No século XIX, Guaratinguetá era um dos grandes nomes do café no Vale do Paraíba. Foi nesse cenário que Ulisses Alexis Perrenoud, vindo da região de Neuchâtel, na Suíça, ergueu a sede da fazenda em 1845 — batizada em homenagem a um castelo de sua terra natal. O casamento de Ulisses com Mariana Francelina de Melo, em 1870, aprofundou as raízes da família na região.
A casa não se parece com nenhuma outra fazenda da região: um sobrado de linhas europeias, com arcos elaborados, fundações de pedra e proporções que lembram as construções do cantão de origem. No porão, uma raridade de engenharia rural: uma roda d'água gigante, de cerca de seis metros, instalada no próprio corpo da casa e alimentada por um aqueduto de pedra que canalizava a água de uma mina da propriedade. Era ela que movia a moenda e beneficiava o café — e segue lá, preservada, como peça central da visita. Do lado de fora, um moinho de fubá com roda d'água própria, também original, completa o conjunto.
O esquecimento
Com a decadência do café no Vale, a fazenda atravessou o século XX em silêncio. Quando foi reencontrada, em 2001, o casarão estava em ruínas — os salões guardavam mais de três metros de entulho, e a mata avançava sobre as paredes.
O Projeto Fênix
A virada começou quando Ronald James Clark, advogado americano radicado em Chicago, decidiu financiar a reconstrução completa da propriedade. Ao lado da arquiteta Regina Maia, o trabalho seguiu fotografias originais da época da família Perrenoud: cada arco, cada esquadria e cada detalhe da fachada foi refeito com base nos registros históricos.
O nome do projeto diz tudo: como a fênix, a casa renasceu das próprias ruínas, com as fundações e as paredes de pedra do porão totalmente preservadas. Os tijolos da olaria original — marcados com o "U" de Ulisses, uma estrela e uma lua — ainda aparecem pela propriedade e viraram parte do roteiro de visita.
Mais de 150 anos em cinco capítulos
- 1845
Ulisses Perrenoud ergue a sede em estilo europeu, com roda d'água interna de seis metros e aqueduto de pedra.
- 1870
Casamento de Ulisses com Mariana Francelina de Melo aprofunda as raízes da família na região.
- Século XX
Decadência do café no Vale do Paraíba; a casa é abandonada e soterrada pelo tempo.
- 2001
Ronald James Clark reencontra a ruína e inicia o Projeto Fênix com a arquiteta Regina Maia.
- Hoje
Restaurada, a fazenda recebe visitas, eventos, retiros, hóspedes e produções de cinema — e segue resgatando a história de Guaratinguetá.
Venha ouvir o resto pessoalmente
A visita guiada percorre o casarão, a roda d'água e os causos que não cabem aqui. Agende pelo WhatsApp.
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